Filósofos Da Ciência
A
B
C
D
E
F
G
-
Galileu Galilei
-
Pierre Gassendi
-
Georges Canguilhem
-
Gerald Holton
-
Clark Glymour
-
Nelson Goodman
-
Kurt Grelling
H
I
J
K
L
M
N
P
-
Karl Pearson
-
Charles Sanders Peirce
-
Roger Penrose
-
Philip Ehrlich
-
Henri Poincaré
-
Michael Polanyi
-
Karl Popper
-
Hilary Putnam
Q
R
S
W
Sociologia do Conhecimento
Sociologia do conhecimento divide-se em duas subdisciplinas da Sociologia que levam o mesmo nome. A primeira delas surgiu na Alemanha dos anos da década de 1920, introduzida por figuras como Max Scheler e, principalmente, Karl Mannheim; é correlata à história das ideias ou próximo do que se pode entender por uma Sociologia dos Intelectuais. A segunda, parte da Sociologia Fenomenológica, foi iniciada por Alfred Schütz, sendo desenvolvida por Peter L. Berger e Thomas Luckmann.
Conhecimento Sociológico
É concebida como o estudo das condições sociais de produção de conhecimento. Seu enfoque abarca as relações sociais envolvidas na produção do conhecimento. O objeto desse tipo de sociologia não se confunde os da teoria do conhecimento ou epistemologia. É a gênese do conhecimento intelectual e dos usos no ambiente social. Assim, consideram-se outros fatores determinantes da produção de conhecimento que não os consciência puramente teórica, mas também de elementos de natureza não teórica, provenientes da vida social e das influências e vontades a que o indivíduo está sujeito.
A influência de tais fatores é de grande importância e sua investigação é objeto da Sociologia do Conhecimento. Esta formulação teórica tem em vista que cada período histórico da humanidade é dominantemente influenciado por certo tipo de pensamento ou de formulações teóricas tidas como relevantes. Em cada momento histórico tendências conflitantes, apontando tanto para a conservação da ordem quanto para a sua transformação, surgiriam em vista dos interesses políticos, ideológicos dos agentes envoltos na prática da produção do conhecimento.
A Sociologia do Conhecimento, tal como definida acima, difere da Teoria do Conhecimento pelo fato de que a esta última debruça-se sobre os problemas comuns a todas as áreas do conhecimento científico preocupando-se não com sua "gênese social". Ao contrário, a Teoria do Conhecimento está envolvida no desenvolvimento do conhecimento científico num nível meta-teórico, confundindo-se, pois, com a Metodologia das Ciências no seu sentido forte: a fundamentação de teorias. As obras de autores como Karl Popper e Thomas Kuhn são exemplares a esse respeito. Thomas Kuhn, entretanto, está no limiar entre a pesquisa metodológica de fundamentação de teorias e a sociologia do conhecimento.
Sua principal obra, a Estrutura das Revoluções Científicas, versa sobre problemas típicos da Metodologia e Epistemologia científicas ao mesmo tempo em que considera o papel dos mecanismos e processos tipicamente sociais que estão no seu cerne. Parte da premissa que a prática da ciência é também uma prática social e, portanto, histórica, residindo nisto a sua proximidade com a sub-disciplina da Sociologia do conhecimento. A Obra de Kuhn é, porém, mais próxima da sociologia da ciência, enquanto que a de Popper está mais próxima de Metodologia e Epistemologia da Ciência.
O sociólogo americano Kurt Heinrich Wolff[1], que foi presidente do Comité de Investigação da Sociologia do Conhecimento do International Sociological Association e presidente da Sociedade Internacional para a Sociologia do Conhecimento, teve uma grande influência na propagação da Sociologia do conhecimento por ter traduzido Georg Simmel e Karl Mannheim em inglês.
Conhecimento Sociológico
da Fenomenológica
Este enfoque da Sociologia do Conhecimento tem sua origem nos trabalhos do filósofo Edmund Husserl, que desenvolveu a Fenomenologia. A aproximação com a Sociologia se deu através do trabalho de Alfred Schütz. Este observou a forma como os indivíduos comuns da sociedade construíam e reconstruíam o mundo em que viviam, o "mundo da vida". Schütz tinha em vista, claramente, que para entender os indivíduos, era necessário compreender como estes apreendiam o mundo. (ver: Schütz, Alfred. Fenomenologia e relações sociais: textos escolhidos de Alfred Schütz, [Org. Helmut R. Wagner]. Rio de Janeiro, Zahar, 1979.)
A Sociologia do Conhecimento de Schütz foi desenvolvida no trabalho conjunto de Berger e Luckmann, A Construção social da realidade na década de 1960. Nele, parte-se da explicação fenomenológica, que é a da tentativa de abordagem de certo fenômeno a sob todas as perspectivas possíveis. E o que se pretende abordar é aquilo que, na sociedade, é dito como conhecimento. Mas não se trata do conhecimento científico, ideológico ou técnico-formal. Ao contrário, enfoca-se aquilo que os indivíduos comuns dentro da sociedade têm para si como conhecimento. É, mais simplesmente, o conhecimento cotidiano que cerca os indivíduos.
Isto é feito tendo em vista as duas faces do conhecimento: um como uma realidade objetiva, externa aos indivíduos. A outra, interna, subjetiva. Tal abordagem é levada a cabo tendo-se em vista os diferentes processos de institucionalização, internalização, assimilação e transmissão de conhecimento.
O enfoque de Berger e Luckmann leva em consideração uma teorização metodologicamente pluralista, isto é, utiliza-se das diferentes ordens de marcha da sociologia para a consecução de uma teorização que, em sua época, era inteiramente nova. Assim vale-se do escopo de fundamentação da Sociologia Compreensiva weberiana e da teorização funcionalista de Durkheim unidos pela abordagem fenomenológica. (ver: Berger, Peter L. e Thomas Luckmann. A construção social da realidade. Petrópolis, Vozes, 2002.).
Sociologia do conhecimento científico
A sociologia do conhecimento científico é o estudo da ciência como atividade social, especialmente lidando com "as condições sociais e efeitos da ciência, e com as estruturas sociais e processos da atividade científica."[1] A sociologia da ignorância científica é complementar à sociologia do conhecimento científico.[2][3] Em comparação, a sociologia do conhecimento estuda o impacto do conhecimento humano e as ideias prevalentes nas sociedades e a relação entre o conhecimento e o contexto social em que ele surge.
Sociólogos do conhecimento científico estudam o desenvolvimento do campo científico e tentam identificar pontos de contingência ou flexibilidade interpretativa onde ambiguidades estão presentes. Essas variações estão ligadas a uma variedade de fatores políticos, históricos, culturais ou econômicos. Crucialmente, o campo não visa estabelecer relativismosou atacar o projeto científico; o objetivo do pesquisador é explicar porque uma interpretação ao invés de outra, é bem sucedida devido a circunstâncias sociais e históricas externas.
O campo emergiu no fim dos anos 60 e início dos anos 70, e no início era uma prática quase que exclusivamente praticada no Reino Unido. Outros centros iniciais do desenvolvimento da áre estavam localizados na França, Alemanha, e Estados Unidos (notavelmente na Universidade Cornell).[4] Os principais teóricos incluem Barry Barnes, David Bloor, Sal Restivo, Randall Collins, Gaston Bachelard, Harry Collins, Paul Feyerabend, Steve Fuller, Thomas Kuhn, Martin Kusch, Bruno Latour, Mike Mulkay, Derek J. de Solla Price, Lucy Suchman e Anselm Strauss.
Programas e escolas
A sociologia do conhecimento científico na sua versão anglófona emergiu nos anos 70, em uma oposição autoconsciente à sociologia da ciência associada ao estadunidense Robert K. Merton, geralmente associado um dos "pais" da sociologia da ciência. A teoria de Merton era como uma "sociologia dos cientistas", o que deixava o conteúdo cognitivo da ciência de fora da natureza sociológica da mesma; a sociologia da ciência, em contraste visava prover explicações sociológicas para as ideias científicas por si só, tendo sua base aspectos do trabalho de Thomas S. Kuhn, mas especialmente de tradições estabelecidas da antropologia cultural (Durkheim, Mauss) e também do posterior Wittgenstein. David Bloor, um dos pioneiros da SCC, contrastou o que ele chamou de de "programa fraco" que apenas dá explicações sociais para crenças errôneas, com o que ele chamou de "programa forte", que considera fatores sociológicos como influenciando todas as crenças.
O programa fraco é mais uma descrição de uma abordagem do que um movimento organizado. O termo é aplicado a historiadores, sociólogos e filósofos da ciência que meramente citam fatores sociológicos como responsáveis pelas teorias que se provaram erradas.. Imre Lakatos e Thomas Kuhn podem ser ditos que aderiam a isso. O programa forte é particularmente associado a dois grupos: a 'Edinburgh School' (David Bloor, Barry Barnes, e seus colegas na Universidade de Edinburgo) nos anos 70 e 80, é a 'Bath School' (Harry Collins e outros na University of Bath) no mesmo período. Os "sociólogos de Edinburgo" e os "sociólogos de Bath" promoveram, respectivamente, o Programa Forte e o Programa Empírico do Relativismo. Também relacionado com a SCC, nos anos 80, estava a análise de discurso aplicada à ciência (associada com Michael Mulkay da Universidade de York), assim como a preocupação com problemas de reflexibilidade surgindo de paradoxos relacionados a postura de relatividade da SCC para com a ciência e o status de suas próprias pretensões de conhecimento (Steve Woolgar, Malcolm Ashmore).
A sociologia do conhecimento científico tem grandes redes através de suas principais associações, 4S e EASST, com grupos recentemente estabelecidos no Japão, Coreia do Sul, Taiwan e América Latina. Tem feito grandes contribuições em anos recentes à analises nos campos de biociências e informática.
Criticismo
A sociologia do conhecimento científico recebeu críticas de teóricos da teoria ator-rede (ANT) que trabalham com estudos de ciência, tecnologia e sociedade. Esses teóricos acusam a sociologia do conhecimento científico de reducionismo científico e de ter um universo antropocêntrico. A SCC, eles dizem, se apoia demasiado em atores humanos e regras sociais e convenções acerca de controvérsias científicas. O debate está discutido no artigo Epistemological Chicken.[5]